Cemitérios Públicos

Rio de Janeiro 30 Janeiro 2015

Cemitério São Francisco Xavier "Cajú"

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Pela data de nascimento e pelas características, o São Francisco Xavier é considerado o irmão gêmeo do Cemitério São João Batista. Enquanto o SJB recebia os ricos moradores de Botafogo, o Caju recebia os ricos moradores de São Cristóvão, os bairros mais importantes dos tempos do Império. 

Conta a história, que em 1839 a Santa Casa da Misericórdia transferiu o cemitério do seu hospital para a Ponta do Caju, próximo à antiga Praia de São Cristóvão, aterrada anos depois. Tal necrópole, servindo para o enterro de escravos, era denominada de Campo Santo da Misericórdia. No dia 18 de outubro de 1851, a necrópole de São Francisco Xavier, popularmente conhecida como Cemitério do Caju, foi inaugurada com o sepultamento da criança Vitória, filha de uma escrava.

Desde a inauguração existe a quadra dos acatólicos, utilizada exclusivamente para o sepultamento de judeus e protestantes, antes da edificação do Cemitério Comunal Israelita em 1956 no mesmo bairro. Em 1866 instituiu-se o Cemitério São Pedro, uma quadra exclusiva para o sepultamento de padres desta ordem.

Para alcançar o tamanho atual o São Francisco Xavier passou por diversas ampliações, aterramentos, aplainações e até o desmonte de um morro. O maior do Rio de Janeiro, e o segundo maior do país, com 441.000 m², fica no chamado Complexo de Cemitérios do Caju (Cemitério da Ordem Terceira do Carmo, o Cemitério da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência e o Cemitério Comunal Israelita do Caju).

 

Cemitério São Francisco Xavier
R. Monsenhor Manoel Gomes, 155 - Caju
Fones: 0800 022 1650
EMail: 
Site: cemiteriosdorio.com.br/caju

Horários: Todos os dias, das 08:00 às 17:00 horas (Plantão 24 horas)


Complexo de Capelas 
Acesso direto pela entrada principal

Crematório do Caju 
Acesso direto pela entrada lateral

 

Veja o Mapa 

Saiba Mais:

“Os Cemitérios do Rio contam a História do Brasil”

“Patrimônio cemiterial não é apenas aquele registrado em materiais tangíveis como obras, fotos e inscrições, mas o que todo esse conjunto pode representar, ou seja, o que se pode evocar do passado através dessa materialidade. São representações da memória que se encontram preservadas no patrimônio cultural funerário, sendo tais representações pontos que ativam a memória que nos serve de alicerce para o futuro, proporcionando transmissões de culturas de outras gerações, além de constituir material para a construção de identidades culturais.”

Durante todo o período colonial no Brasil, as inumações foram feitas dentro das igrejas, ou, quando muito, em catacumbas anexas. Tal hábito começou a declinar com a chegada da Corte portuguesa, fugida de Napoleão, em 1808.

Segundo o escritor Pedro Nava, quase todos os cemitérios do Rio de Janeiro foram abertos depois das hecatombes da febre amarela, a partir de dezembro de 1849. O do Caju é anterior e o mais antigo da cidade. Foi instalado em 1839 por José Clemente Pereira, numa gleba comprada a José Goulart, para enterrar os indigentes e escravos até então sepultados nos terrenos de Santa Luzia, onde se ia erguer o atual hospital da Santa Casa de Misericórdia, no Rio de Janeiro. Foi chamado Campo-Santo do Caju. Seu primeiro defunto foi inumado em 1840.

Em 1851 o nome foi mudado para Cemitério de São Francisco Xavier. Entretanto, não só persiste a antiga denominação, como ela entrou nas frases feitas. Assim, quando se diz — um dia, Pedro, irás para o Caju — quer dizer — um dia, Pedro, ai! de ti, também morrerás, e serás enterrado. Naquele ano o campo-santo é ampliado e juntaram-se às terras de José Goulart, as da antiga Fazenda do Murundu, de Baltasar Pinto dos Reis.

Em 1858 desmembra-se o terreno que vai ser o Cemitério da Venerável Ordem Terceira da Penitência e em 1859 o que vai ser o Cemitério da Venerável Ordem Terceira do Carmo. Essa vasta área corresponde, mais ou menos, ao que é hoje limitado pela Avenida Brasil, pelas Ruas Carlos Seidl, Indústria e Monsenhor Manuel Gomes e nela estão os quatro cemitérios [os três citados e o Cemitério Comunal Israelita], fábricas, depósitos e favelas; as ruas novas dos fundos das necrópoles; e o Hospital São Sebastião. Os aterros, em frente, fizeram desaparecer os cais [...]

Assim, todos os grandes acontecimentos desde esse período foram testemunhados pelos cemitérios públicos do Rio de Janeiro. Mortos em combate nas guerras mundiais, nas revoluções ideológicas, nas ações de combate, nos serviços públicos, nas epidemias, nas tragédias, nos braços dos fãs, nos cargos políticos, nos bairros nobres e nos lugares mais humildes, descansam eternamente e, novamente, com dignidade e respeito.

 

Nos cemitérios do Rio de Janeiro estão enterradas personagens de todos os períodos históricos do Brasil:

Reino Unido (1815–1822)

Império e Abolição (1822-1889)

Primeira República (1890-1930)

Era Vargas (1930-1945)

Quarta República (1946-1964)

Ditadura Militar (1964–1985)

Nova República (1985- dias de hoje)

 

Personalidades que fizeram a História e a Cultura do Rio descansam no Cajú!

Músicos: Noel Rosa, Tim Maia, Paulo Sérgio, Agepê, Waldick Soriano, Dolores Duran, Emilinha Borba, Orlando Silva, Jamelão, Cartola, Dona Zica, Dona Neuma, Elizeth Cardoso, Ernesto Nazareth, Claudinho, Sinhô, Patápio Silva, Medeiros de Albuquerque,

Atores: Procópio Ferreira, Sérgio Pedro Corrêa de Britto, Zezé Macedo, Pedro de Lara, Wilza Carla, Cláudio Correia e Castro,

Médicos, Escritores, Poetas e Benfeitores: Bezerra de Menezes, Cruz e Souza, Artur de Azevedo, Fernando Barbosa Lima, Pedro Nava, Antônio Pereira Passos, Ana Neri,

Autoridades do Império e da República: Manuel Deodoro da Fonseca, Presidente Figueiredo, José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, Souza Aguiar, Mascarenhas de Moraes, Marechal Zenóbio, Marechal Hermes, Henrique Teixeira Lott, Barão de Mangaratiba, José do Patrocínio, Guilherme Capanema, o Barão de Capanema...

Outros nomes já estão na fase de confirmação. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

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